Presos em flagrante, vigilantes de 28 e 30 anos teriam atirado contra o próprio veículo e registrado falsa ocorrência; investigação descobriu a suposta fraude ainda no mesmo dia.
A Polícia Civil prendeu em flagrante dois vigilantes, de 28 e 30 anos, após descobrir que uma suposta tentativa de roubo registrada na sexta-feira, dia 11 de setembro, teria sido inventada pelos próprios envolvidos.
A dupla foi autuada, em tese, pelos crimes de comunicação falsa de crime, fraude processual e disparo de arma de fogo.
Os homens, moradores de Pouso Alegre (MG), estavam no interior paulista para realizar a escolta de uma carga de explosivos destinada a uma pedreira em Piraju.
Após concluírem o serviço, iniciaram o trajeto de retorno e, segundo a versão apresentada inicialmente, teriam sido abordados por ocupantes de um Volkswagen Gol, branco, que efetuaram disparos contra o veículo da escolta. Os vigilantes afirmaram ainda que reagiram ao suposto ataque também com tiros.
Após o suposto ataque, os dois seguiram viagem e acionaram a Polícia Militar cerca de 30 minutos depois, quando chegaram a um posto às margens da rodovia e conseguiram sinal de telefone.
Eles foram então conduzidos à Delegacia de Polícia de Itaí, onde registraram a ocorrência como vítimas de uma tentativa de roubo.
O veículo utilizado pela escolta apresentava marcas de disparos e chegou a ser periciado. A partir desse registro, a Polícia Civil iniciou a investigação para identificar os supostos criminosos e esclarecer o ataque.
Diante da gravidade do caso, policiais civis do Setor de Investigações Gerais (SIG) de Piraju iniciaram diligências ainda no mesmo dia. Durante a reconstrução do trajeto e da dinâmica apresentada pelos vigilantes, porém, os investigadores identificaram contradições, principalmente em relação ao local onde o suposto ataque teria ocorrido.
Um dos investigados acompanhou os policiais até uma estrada entre Piraju e Sarutaiá e indicou o ponto onde, segundo ele, teriam ocorrido os disparos.
No local, contudo, não foram encontrados vestígios balísticos compatíveis com a narrativa, aumentando as suspeitas dos investigadores. A Polícia Técnico-Científica também foi acionada para realizar os levantamentos periciais.
Com o avanço das diligências, a Polícia Civil localizou vestígios balísticos em outro ponto do trajeto.
A investigação passou então a indicar que os próprios vigilantes teriam efetuado disparos contra o veículo utilizado na escolta para produzir marcas e sustentar a versão de uma tentativa de roubo que não teria ocorrido.
As armas utilizadas pelos dois homens foram apreendidas. O registro policial aponta duas pistolas calibre .380, que serão submetidas aos exames periciais necessários.
O confronto balístico deverá auxiliar no esclarecimento da dinâmica e na comparação entre as armas, os vestígios recolhidos e as marcas existentes no automóvel.
Confrontados com os elementos reunidos durante a investigação, os dois vigilantes admitiram que haviam inventado a ocorrência. A motivação inicialmente apurada estaria relacionada à intenção de criar a aparência de que teriam enfrentado uma situação de excepcional risco durante o serviço.
Os homens, de 28 e 30 anos, foram presos em flagrante e permaneceram à disposição da Justiça. A autoridade policial também representou pela decretação da prisão preventiva da dupla. As investigações prosseguem para o esclarecimento completo das circunstâncias do caso e para a conclusão dos exames periciais.
Fonte: Sudoeste Paulista